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Acesso aberto Revisado por pares
Editorial

A cirurgia segura

Edmundo Machado Ferraz

Em 2004 a Organização Mundial da Saúde (OMS), criou o Programa da Segurança do Paciente que atendia à preocupação existente com o erro e os efeitos adversos ocorridos no atendimento dos doentes. Em 2009, juntamente com a Universidade Harvard, foi criado o Programa da Cirurgia Segura com o objetivo de diminuir as elevadas taxas de mortalidade e morbidade dos pacientes cirúrgicos. Tive o privilégio de participar desse grupo de trabalho desde essa ocasião. Foi identificada do ponto de vista epidemiológico a Infecção do Sítio Cirúrgico (ISC) como um importante indicador a ser estudado, e foram estabelecidas medidas de prevenção para a diminuição de sua incidência, o que levaria a uma relevante queda das taxas de morbimortalidade de pacientes cirúrgicos que atingiu, em todos os cenários, taxas inadmissíveis.

Um projeto piloto foi realizado para avaliação de resultados e publicado em janeiro de 2009 no New England Journal of Medicine.1 Foi um estudo de 7.688 pacientes avaliados antes e depois da aplicação do checklist em diferentes cidades do mundo, em países desenvolvidos e em processo de desenvolvimento. Foram avaliados dois indicadores: as grandes complicações e a mortalidade. Os resultados foram surpreendentes. As grandes complicações se reduziram a 36% e a mortalidade diminui para 47%. A notícia correu o mundo e tornou evidente a necessidade da aplicação do checklist. No ano seguinte, em 2010, a OMS estimou que ocorreu uma diminuição de quinhentos mil óbitos pela aplicação do cheklist no mundo. Na realidade, a utilização desse procedimento vem se tornando uma exigência do século XXI para os hospitais, criando grande número de protocolos, visando à diminuição das complicações e necessariamente da mortalidade.

Contudo, dificuldades necessitam serem ultrapassadas para a aplicação eficiente do checklist que aparentemente é uma metodologia de fácil aplicação, o que não é verdade, embora o benefício para o paciente seja indiscutível e, portanto, necessita que essas dificuldades sejam resolvidas em benefício dos doentes cirúrgicos.

O excelente artigo publicado neste número por Dr. Paulo Mendelssonh, ilustra e enriquece a importância da cirurgia segura no contexto da segurança do paciente.

 

REFERÊNCIA

1. Haynes AB, Weiser TG, Berry WR, Lipsitz SR, Breizat AH, Dellinger EP, et al. A surgical safety checklist reduce morbidity and mortality in a global population. N Engl J Med. 2009;360:491-9.


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